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Macau Passado

Macau Passado

31
Mar11

junco

João Severino

 

 

 

 

 

> Em 1984 dei uma volta de junco. Adorei. Os homens do barco nunca tinham tido a bordo um "kwailô". As perguntas foram mais que muitas de parte a parte. No meio de tanto conhecimento novo, fiquei a saber que aqueles pescadores do junco eram os primeiros a detectar pela forma do vento soprar que haveria de vir por aí um tufão e logo regressavam a Macau. Ainda me lembro de uma pergunta que um daqueles homens de pele gasta pelo mar me fez: "Vocês portugueses estão a pensar ir-se embora algum dia?". Respondi: "Nunca!". Enganei-me redondamente, porque a traição à continuidade da presença portuguesa já tinha sido traçada em Lisboa e Pequim.

 


 

30
Mar11

o primeiro

João Severino

 

 

 

 

 

 

 

 

 

> O semanário VECTOR foi o primeiro jornal independente em Macau. Por quê? Porque foi editado com o meu dinheiro. O jornal contou com o apoio logístico do staff do semanário 'Tribuna", José Rocha Dinis, Helder Fernando, Arnaldo Ferreira e Humberto Abreu. O VECTOR dedicou-se mais aos aspectos económicos do quotidiano macaense e teve como correspondente em Lisboa, Fernando Lima, que hoje é assessor do Presidente da República Cavaco Silva. O VECTOR "deu nas vistas" quando o meu jipe passou a publicitar o seu cabeçalho.

 


 

29
Mar11

andré couto

João Severino

 

 

 

 

André Couto e Catarina Severino com o campeão de motos Ron Haslan

 


> O "vírus" do piloto André Couto pelos desportos motorizados fica provado nesta fotografia já com alguns anos bons. Ainda criança, durante todos os Grandes Prémios de Macau, acompanhado da minha filha, era vê-lo a percorrer as boxes, pedindo autógrafos a todos os pilotos e a fazer dezenas de perguntas. Um dia, o Jean Alesi disse-me: "Aquele puto é chato com as perguntas mas vai longe... o puto gosta disto e parece que já está apaixonado por um dia vir a ter um capacete como o meu". Alesi, Ayrton Senna, Michael Schumacher, Mika Hakkinen, Damon Hill, Stephen Johasson, Jacques Villeneuve, Ivan Capelli, Mauricio Gugelmin, David Coulthard, Emanuel Pirro, John Nielsen, Andy Wallace, Martin Donnely, Eurico Bertaggia, David Brabham, Rickard Rydell, Jorg Muller, Sascha Maassen, Gerard Berger e tantos outros pilotos bem tiveram de "aturar" na pista de Macau o jovem André Couto. Obviamente, que o "vírus" tinha de ficar introduzido. O jovem que cresceu em Macau fez-se homem e piloto. Hoje, Couto é um dos melhores no GT do Japão.

 


 

27
Mar11

desapareceu

João Severino

 

 

 

 

 

> Na rotunda do Hotel Lisboa existia a estátua do governador Ferreira do Amaral, que foi morto no dia 25 de Agosto de 1849. As autoridades chinesas não descansaram enquanto não pressionaram as congéneres portuguesas para que retirassem o monumento, alegando que o ex-governador tinha ofendido os chineses. E a estátua que servia de cenário fotográfico aos chineses que visitavam Macau, simplesmente desapareceu. Estará em algum armazém do Estado?

 

 

ADENDA:

 

O nosso leitor Pedro Pinto encontrou o local onde está a estátua e enviou-nos as fotos. Escandaloso e vergonhoso o modo como o Estado português "atirou" com um seu ex-governador de Macau que tudo fez pela defesa do nome da sua Pátria. A estátua está vergonhosamente colocada no chão, sem dignidade nenhuma no Bairro da Encarnação, em Lisboa, nas traseiras de uma escola (?), virada para uns taipais. Simplesmente inacreditável...

 


 


 


25
Mar11

sampaio

João Severino

 

 

 

 

 

> Durante o "reinado" de Jorge Sampaio com a tutela de Macau manifestei por diversas vezes em editoriais do meu jornal e em cartas enviadas às autoridades governativas de Portugal e de Macau, que a imprensa portuguesa no território corria grave perigo de subsistência se os responsáveis não se decidissem por qualquer forma de apoio igualitário.

Infelizmente, houve jornais que receberam avultadíssimos subsídios mensais durante anos através dos departamentos governamentais de Macau.

As minhas preocupações também foram manifestadas à Presidência da República, mas Jorge Sampaio nunca se dignou responder à questão.

Quando da visita oficial do Presidente Sampaio a Macau, os directores de jornais foram convidados para jantar com o Presidente. Obviamente que recusei o convite e o meu lugar na mesa ficou vazio. Além disso, dirigi-me pessoalmente à conferência de imprensa que manteve com os jornalistas chineses e portugueses e apresentei a questão da imprensa portuguesa. Foi a única pergunta que não obteve resposta. Naquele momento, fiquei a saber que os Presidentes da República não são de todos os portugueses...

 


 

24
Mar11

o meu amigo choi

João Severino

 

 

 

 

 

> Muitos e muitos riquexós percorriam as ruas de Macau, Até chegavam a atravessar a Ponte Nobre de Carvalho com turistas até à Taipa. O meu amigo Choi (na foto) tinha um irmão que era o lavador dos meus carros. Eu adorava um dia andar de riquexó. O amigo Choi, algumas vezes já com uma valente "pedrada" de ópio, convidava a transportar-me do Hotel Lisboa até à Barra, onde eu residia. Bem me apetecia, e muitas vezes fui a pé, porque um carro estava no mecânico e o outro com a minha mulher. Contudo, sempre que o amigo Choi se oferecia para me levar não deixei de lhe pagar a viagem. E por que é que nunca andei de riquexó, perguntará o leitor? Porque sempre me deu a ideia de escravatura...

 


 

23
Mar11

dragão

João Severino

 

 

 

 

 

> A nova ponte. A da amizade. O dragão. As ondas. Chamaram-lhe vários nomes. Para mim, era a Ponte do Meu Contentamento. Um dia, um Chefe da PSP de Macau informou-me que os radares de velocidade a partir de certa quilometragem não registavam a matrícula, a cor e a marca do carro. Fantástico. Por volta das três da manhã, mal terminava de fechar o jornal, lá ia pelas ondas fora fazer o gosto ao pé a mais de 200 Kms/h. Mas, não digam nada a ninguém...

 


 

22
Mar11

palácio da praia grande

João Severino

 

 

 

 

 

> No Palácio da Praia Grande entrei centenas de vezes pelas mais diferentes razões. Conheci os Governadores Melo Egídio, Almeida e Costa, Pinto Machado, Carlos Melancia e Rocha Vieira. Mas, a história que mais deu que falar foi quando a polícia me suspendeu a carta de condução por um mês devido a excesso de velocidade "inventado", e passei a andar de bicicleta nesse mês. Quando chegava ao Palácio da Praia Grande arrumava a bicla no primeiro degrau, o porteiro ria-se e dizia-lhe: "Não deixe roubar o meu carro"...

 


21
Mar11

o 21a

João Severino

 

 

 

 

 

> Nos tempos em que o Bairro da Areia Preta era looooooongínquo do centro de Macau lembro-me de ter tirado esta fotografia ao maravilhoso autocarro de dois andares que realizava a carreira número 21 A. O "amarelo", como muitos lhe chamavam, era um Leyland que nunca deveria ter sido abatido à carga porque hoje seria uma valiosa peça de museu. E a matrícula? Que belíssima: M-42-67. Ainda cheguei a andar no "amarelo"...

 


 

18
Mar11

farol

João Severino

 

 

 

> Durante muitos anos o Farol do Monte da Guia era um dos ex-libris de Macau, porque era bem visível. Depois da administração portuguesa ter cedido a mesma às autoridades chinesas, iniciou-se a desbunda na construção civil. Várias associações tentaram combater o impossível. O poder dos "patos-bravos" em Macau é uma ordem e os prédios nasceram rapidamente como cogumelos. Esta imagem que vos ofereço já não existe.

 



 

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Mais sobre mim

foto do autor

Macau pertenceu à administração portuguesa. Essa realidade faz parte dos registos históricos de uma nação que marcou presença nos quatro cantos do mundo. A Oriente, milhares de portugueses viveram como lhes foi possível. Em Macau, a continuidade lusa mantém-se, mas o passado foi muito significativo. Fiz parte desse passado de uma forma intensa. Portugueses, macaenses e chineses, conheci muitas centenas. De alguns guardei as fotografias que memorizam a vivência. Humanos e a urbe macaense completam um espólio fotográfico que possuo de mais de seis mil fotografias e outras mais que ainda devem estar em caixas por abrir. Neste sentido, resolvi ir publicando aqui neste MACAU PASSADO o espólio que for possível. Espero que vos agrade e que possam recordar Macau sem complexos, sem rancores e sem tibiezas. Macau sã assi...

João Eduardo Severino

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