Terça-feira, 31 de Maio de 2011
ung vai meng

 

 

> Na tarde fria de 15 de Dezembro de 1998 só aqueci depois de subir ao último andar do edifício World Trade Center e tomar um uisque. Impunha-se não faltar à inauguração da exposição do meu amigo Ung Vai Meng, um dos melhores artistas plásticos de Macau. "Sketches of Macau" foi o título da exposição. E que sketches, ó meu Deus, o Ung Vai Meng é um artista de primeira água. Penso que esteja agora em presidente do Instituto Cultural de Macau. Até que enfim, que se fez justiça.

 


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publicado por João Severino às 00:02
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Domingo, 29 de Maio de 2011
wu tai

 

 

 

 

> No dia 30 de Outubro de 1999 visitei uma exposição de pintura no Museu de Arte de Macau. O autor Wu Tai encheu-me as medidas pelo seu traço realista e perfeição da imagem recolhida. A mostra teve por título "Os Encantos de Macau".

 



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publicado por João Severino às 16:53
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Sexta-feira, 27 de Maio de 2011
hospital são rafael

 

 

> No centro histórico de Macau foi mandado construir em 1568 pelo bispo de Macau, D. Melchior Carneiro, o Hospital São Rafael, destinado aos pobres, especialmente aos muitos leprosos que existiam na época. Em 1975 foi ocupado pelos refugiados de Timor-Leste. Após a reconstrução do edifício nos anos 1990 foi ali instalado o Consulado-Geral de Portugal, uma decisão meritória da administração portuguesa. Só foi pena, assistir-se no Consulado, a certa altura do PDEC (processo de debandada em curso), à venda de passaportes portugueses por uma fortuna...

 

 

 

 



publicado por João Severino às 10:21
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2011
a torre e o lago

 

photo jotaesse

 

 

> Numa tarde húmida e bela registei a imagem da Torre de Macau em construção e o lago artificial Nam Van.

 




publicado por João Severino às 15:51
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Terça-feira, 24 de Maio de 2011
universidade

 

 

 photo jotaesse

 

 

 

> Curiosamente, no primeiro dia útil após a passagem de administração para a China, a Universidade de Macau estava deserta. Lá estavam as bandeirinhas, mas não os alunos. Na altura, disseram-me que o facto se devia às férias de Natal.

A propósito de UM tenho uma história genial para vos contar. Um dia, um funcionário da Universidade foi enviado pelo seu chefe hierárquico para uma sala pequena onde se arquivavam documentos. No final do dia, o segurança fechou a porta à chave sem se aperceber que estava alguém no interior. E o funcionário "arquivista" tinha adormecido quando o segurança fechou a porta. Quando acordou deu-se conta que a porta estava fechada à chave e que teria de lá passar a noite. Só que, a meio da noite sentiu os intestinos a quererem trabalhar e na aflição só teve uma solução: foi à janela, virou o rabo para a rua e evacuou para o exterior...

(história verídica)

 

 



publicado por João Severino às 22:29
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
a escola tdm

 

 

 

 

 

> A Teledifusão de Macau (TDM) foi sempre uma escola de virtudes. De quê? Pronto, ok, eu rectifico. Foi sempre uma escola de virtudes e de defeitos. De defeitos porque muita gente, especialmente administradores e directores, aproveitaram os seus cargos para descapitalizar a empresa. Havia sempre o Stanley Ho para apagar os fogos, leia-se, pagar os desmandos. Alguns foram para a prisão, outros para ministros e deputados. Mas, não falemos de coisas tristes e recordemos a escola de virtudes. De muita gente conhecida. Afonso Rato, Gonçalo César de Sá, José Rodrigues dos Santos, Judite Sousa, Maria Helena Falé, José Alberto Sousa, João Guedes, Nuno Mendonça, Jorge Silva, Vítor Rebelo, João Francisco Pinto e tantos outros.

Dos tempos da antiga Rádio Macau vou contar-vos algo de caricato. Um dia, estava no estúdio a realizar e a apresentar um programa com a duração de três horas. Ao aproximar-se a hora do noticiário, cerca de 15 minutos antes, o técnico de som transmitiu-me que o noticiarista não tinha vindo trabalhar. Fui à redacção, peguei em meia dúzia de telexes, risquei uns quantos parágrafos, dei-lhes uma volta e estavam feitas as notícias. Ouviu-se o sinal horário seguido de uma voz (a minha): "Rádio Macau, são nove horas. Vêm aí as notícias". Ouve-se o separador do noticiário e segue-se outra voz em tom mais grave (a minha): "Bom dia. O governador Almeida e Costa reúne-se hoje com ....; Os Correios de Macau lançam hoje uma nova colecção de selos alusiva...; No Porto Interior deu entrada mais uma embarcação com refugiados do Vietname e a Polícia Marítima...; Em futebol a equipa do Negro Rubro, de António Assumpção, sagrou-se mais uma vez campeã ao derrotar...; Em Portugal o governo depara-se com graves dificuldades de financiamento pelo facto...; A terminar lembramos que logo pelas 18.30 terá lugar no Clube Militar o lançamento do livro da autoria de...; Bom dia!". Separador do noticiário. Música e continuação do programa da manhã com a apresentação de outra voz mais aguda (a minha).

Passados dez minutos, o técnico de som informa-me que tinha recebido um telefonema dando conta que havia deflagrado um incêndio num edifício próximo das instalações da estação. Coloco no prato do gira-discos do lado direito um disco dos Bee Gees, ao vivo, de 12 minutos. No prato da esquerda a Amália Rodrigues, ao vivo em Tóquio, com a duração de 20 minutos. Disse ao técnico que iria realizar a reportagem em directo do sinistro e se o disco dos Bee Gees terminasse, que ele abrisse a via para a Amália. Entretanto, quando eu desse sinal que estava em reportagem do exterior era só lançar-me no "ar". E assim foi, passados dez minutos estava a informar o auditório de tudo o que tinha acontecido no incêndio. Corri de volta para o estúdio e, como se nada de especial tivesse acontecido e como se a Rádio Macau tivesse naqueles instantes três profissionais para três tarefas bem distintas, voltei a sentar-me no estúdio e continuei a emissão até ao meio-dia, prosseguindo a apresentação de noticiários de hora a hora. Calma, calma porque ainda não acabei...

Como naquele tempo não havia ninguém para produzir, editar e apresentar o Teledesporto no canal televisivo da TDM, este vosso amigo passava as tardes a realizar reportagens pelas diversas modalidades desportivas, aos sábados e domingos à tarde realizava a cobertura do futebol no Campo do Canídromo, e aos domingos a partir das 22 horas, apresentava, em directo, durante mais de duas horas o programa desportivo da semana, o qual incluia entrevistas no estúdio. O Teledesporto viria a prosseguir sabiamente pelo bem vindo e bom companheiro Vítor Rebelo.

 


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publicado por João Severino às 00:01
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
estorninho, o mestre

 

 

 

 

 

> Conheci Herculano Estorninho em Timor-Leste, onde se deslocou em serviço no âmbito das actividades da sua empresa STDM. Stanley Ho tinha enviado o Herculano a Díli para implementar a construção de um hotel com slot machines. Quando cheguei a Macau em 1981 fui recebido de braços abertos no seu gabinete do Hotel Sintra. O macaense Herculano Estorninho faz parte da história das artes a nível internacional. As suas obras, óleos e aguarelas, estão patentes nas mais diversas colecções particulares e no património de várias instituições portuguesas e chinesas.

Herculano Estorninho era um homem muito especial, amante de todos os seus familiares, dedicado tanto à pintura como às antiguidades, tanto à prosa como à poesia. Herculano foi um mestre de vida. De uma vida onde experimentou de tudo um pouco nas difíceis relações humanas. Um democrata sério e que via a política como um caminho para ajudar os mais desprotegidos. Ficou-lhe o amor por uma terra onde não nasceu - Timor-Leste - basicamente porque compreendeu que aquele povo merecia mais e melhor das autoridades governativas.

Semanalmente, e muitas vezes quase diariamente, visitava o Herculano e depois passeávamos pela San Ma Lou. Ele ensinou-me o básico, o secundário e o universitário sobre Macau. Foi um mestre sobre as especificidades dos lobis macaenses. Explicou-me por que razão uma seita secreta não era secreta. Por que razão um casino poderia sustentar um governo, um país ou um partido, tal como podia destruir milhares de famílias. Explicou-me como foi Macau no passado: os cafés, a culinária, o futebol, o teatro, as bandas musicais, os carros, o Grande Prémio. os metropolitanos, os governadores, os marinheiros, os tropas, os barcos para a Taipa, os serviços da administração, os aterros, o Adé, o Carlos d'Assunpção, o Stanley Ho, o Ho In, o Roque Choi, o Jorge Rangel, o Senna Fernandes, o Neto Valente, o Delfino Ribeiro, o Jonny Reis, o Leonel Barros, o Ted Yip, o Leonel Borralho, a Susana Chou, o Henrique Nolasco, o Ng Fok, o Santos Ferreira e tantos outras figuras ilustres. Explicou-me como a árvore das patacas abanava só para alguns. Ensinou-me que em Macau nunca se pode errar e que fica rico aquele que não ouve, não vê e não fala.

Herculano Estorninho é um marco cultural na históría macaense e eu sinto um grande orgulho por ele ter feito o favor de ser meu amigo.

 

 

COMENTÁRIO EM DESTAQUE

 

De José Luis Estorninho a 10 de Maio de 2011 às 10:59
Caro amigo João Severino,

É c/muito agrado e orgulho que registo pela homenagem que você quis em boa hora dedicar ao m/querido e saudoso tio Herculano - um grande ilustre macaense, que para mim, ele foi sempre, e desde há muito uma grande figura de referência para todos nós!

Confesso ter-me tocado no fundo do meu coração, com as suas honrosas referências, sobre alguém da minha família, neste caso o meu tio e caríssimo amigo Herculano, pessoa com quem tive o grande privilégio de ter privado ao longo da sua vivência, e que desde muito cedo, ele nutria já em mim uma grande amizade e admiração!

Herculano foi, sem dúvida, uma pessoa de grande estima e admiração entre os seus amigos e conterrâneos , para além de como óbvio ser um grande e amicíssimo amigo da sua própria família, donde entre os seus vários outros irmãos, era precisamente, com o meu pai que ele se conviveu mais frequentemente e intensamente em Macau.

É nesse sentido que julgo ser oportuno, para fazer jus homenagem a esta figura de Macau, e trazer também aqui, algumas das minhas considerações, a respeito do meu saudoso ente querido tio Herculano.

Não porque se trata de uma pessoa da família, mas por razões óbvias como alguém que deu o seu melhor contributo para Macau, com quem me sinto agora também o dever de o homenagear!

Como sobrinho e amigo, que sou, não posso deixar de sentir mais honrado, pelo facto dele ser uma figura de referência para Macau - um intelectual multifacetado, que ajudou a contribuir de forma calorosa, activa e assumida, aquele que foi um bom exemplo de cidadão responsável - para o enriquecimento de Macau nas s/mais diversas áreas.

Sendo que na área artístico-cultural , Herculano foi um dos maiores impulsionadores e responsáveis pela divulgação de artes plásticas em Macau, tendo ele sido um dos principais fundadores da Associação de Belas Artes, o Arco-Íris, a primeira do género em Macau, e consequentemente, um dos maiores pintores de Macau, com obras espalhadas por todo o mundo.

Tanto em aguarelas como em óleo - cujo tema Herculano se identificou com as suas obras, dividida entre a sua terra natal Macau e a sua terra adoptiva Timor.

Em Macau, Herculano procurou sempre durante o seu percurso artístico, transpor para as suas telas, aquilo que tinha um forte significado a ligação cultural entre o quotidiano chinês e o modo de vida da sua população, através de dois elementos principais, o templo chinês e a orla marítima de Macau - enquanto para Timor, ele preferiu fazer representar nas suas obras a sua própria beleza singela daquela terra a paisagem natural.

Mas, foram sobretudo as pinturas vocacionado c/o mar, é que Herculano gostava mais de estar ligado, e que sentiu mais de perto, e em contacto mais próximo c/a sua população, quando ia localmente colorir as suas obras, sendo os juncos chineses o elemento que mais lhe despertava atenção, e uma maior preferência nas suas obras, na aplicação e utilização de técnicas inovadoras - a óleo ou em aguarela, este último bastante carismática e de estilo muito pessoal do artista, conhecidas por técnicas transfer ".

Também ele gostava muito de fotografia, lembro-me que foi ele quem me incutiu o gosto pela fotografia, ao oferecer-me uma máquina fotográfica, nos tempos em que eu era ainda estudante.

Para além daquilo que foi referido, Herculano foi um verdadeiro humanista que sempre lutou e procurou servir de alma e coração para os outros - sendo um grande artista de enorme sensibilidade e democrata nato ligado à luta permanente e incansável pelas causas macaense e timorense, a quem todos nos honra.

Também, na política local, Herculano foi um dos principais membros fundadores do CDM, a primeiríssima associação cívica de Macau, depois do 25 de Abril, onde foi um dos seus mais acérrimos defensores pela implementação da democracia em Macau.

Enquanto que em Timor foi nomeado para fazer parte como um dos dirigentes principais do conhecido movimento Tata-Malau.

Em letras - ainda como estudante, Herculano foi um dos fundadores e colaboradores mais activos no lançamento do primeiro jornal católico "O Clarim" em Macau.

Mais tarde já na sua plena vida profissional, foi convidado para ser o primeiro director e fundador do jornal "Ponto Final".

Abraço amigo
José Luís Estorninho

 


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publicado por João Severino às 00:01
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Domingo, 8 de Maio de 2011
murray zanoni

 

 

 

 

Edifício colonial português na Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida

 

> As aguarelas mais bonitas que vi sobre Hong Kong (porque sobre Macau foram as de Herculano Estorninho) são da autoria do artista australiano Murray Zanoni. O pintor patenteou as suas obras em diversas exposições por vários países. Em Macau, o evento teve lugar no Clube Militar, em Outubro de 1999.

 

 

 



publicado por João Severino às 11:06
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Segunda-feira, 2 de Maio de 2011
boa comida

 

 

 

 

 

> O melhor restaurante de Macau era a minha casa. A minha mulher era a melhor cozinheira no enclave. Que o digam as centenas de pessoas que passaram pela minha mesa, especialmente, jornalistas e familiares. Curiosamente, quase todos eles fingem que não existo. Bem comidos e mal agradecidos...

 


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publicado por João Severino às 11:02
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Macau pertenceu à administração portuguesa. Essa realidade faz parte dos registos históricos de uma nação que marcou presença nos quatro cantos do mundo. A Oriente, milhares de portugueses viveram como lhes foi possível. Em Macau, a continuidade lusa mantém-se, mas o passado foi muito significativo. Fiz parte desse passado de uma forma intensa. Portugueses, macaenses e chineses, conheci muitas centenas. De alguns guardei as fotografias que memorizam a vivência. Humanos e a urbe macaense completam um espólio fotográfico que possuo de mais de seis mil fotografias e outras mais que ainda devem estar em caixas por abrir. Neste sentido, resolvi ir publicando aqui neste MACAU PASSADO o espólio que for possível. Espero que vos agrade e que possam recordar Macau sem complexos, sem rancores e sem tibiezas. Macau sã assi...

João Eduardo Severino
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