Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
estorninho, o mestre

 

 

 

 

 

> Conheci Herculano Estorninho em Timor-Leste, onde se deslocou em serviço no âmbito das actividades da sua empresa STDM. Stanley Ho tinha enviado o Herculano a Díli para implementar a construção de um hotel com slot machines. Quando cheguei a Macau em 1981 fui recebido de braços abertos no seu gabinete do Hotel Sintra. O macaense Herculano Estorninho faz parte da história das artes a nível internacional. As suas obras, óleos e aguarelas, estão patentes nas mais diversas colecções particulares e no património de várias instituições portuguesas e chinesas.

Herculano Estorninho era um homem muito especial, amante de todos os seus familiares, dedicado tanto à pintura como às antiguidades, tanto à prosa como à poesia. Herculano foi um mestre de vida. De uma vida onde experimentou de tudo um pouco nas difíceis relações humanas. Um democrata sério e que via a política como um caminho para ajudar os mais desprotegidos. Ficou-lhe o amor por uma terra onde não nasceu - Timor-Leste - basicamente porque compreendeu que aquele povo merecia mais e melhor das autoridades governativas.

Semanalmente, e muitas vezes quase diariamente, visitava o Herculano e depois passeávamos pela San Ma Lou. Ele ensinou-me o básico, o secundário e o universitário sobre Macau. Foi um mestre sobre as especificidades dos lobis macaenses. Explicou-me por que razão uma seita secreta não era secreta. Por que razão um casino poderia sustentar um governo, um país ou um partido, tal como podia destruir milhares de famílias. Explicou-me como foi Macau no passado: os cafés, a culinária, o futebol, o teatro, as bandas musicais, os carros, o Grande Prémio. os metropolitanos, os governadores, os marinheiros, os tropas, os barcos para a Taipa, os serviços da administração, os aterros, o Adé, o Carlos d'Assunpção, o Stanley Ho, o Ho In, o Roque Choi, o Jorge Rangel, o Senna Fernandes, o Neto Valente, o Delfino Ribeiro, o Jonny Reis, o Leonel Barros, o Ted Yip, o Leonel Borralho, a Susana Chou, o Henrique Nolasco, o Ng Fok, o Santos Ferreira e tantos outras figuras ilustres. Explicou-me como a árvore das patacas abanava só para alguns. Ensinou-me que em Macau nunca se pode errar e que fica rico aquele que não ouve, não vê e não fala.

Herculano Estorninho é um marco cultural na históría macaense e eu sinto um grande orgulho por ele ter feito o favor de ser meu amigo.

 

 

COMENTÁRIO EM DESTAQUE

 

De José Luis Estorninho a 10 de Maio de 2011 às 10:59
Caro amigo João Severino,

É c/muito agrado e orgulho que registo pela homenagem que você quis em boa hora dedicar ao m/querido e saudoso tio Herculano - um grande ilustre macaense, que para mim, ele foi sempre, e desde há muito uma grande figura de referência para todos nós!

Confesso ter-me tocado no fundo do meu coração, com as suas honrosas referências, sobre alguém da minha família, neste caso o meu tio e caríssimo amigo Herculano, pessoa com quem tive o grande privilégio de ter privado ao longo da sua vivência, e que desde muito cedo, ele nutria já em mim uma grande amizade e admiração!

Herculano foi, sem dúvida, uma pessoa de grande estima e admiração entre os seus amigos e conterrâneos , para além de como óbvio ser um grande e amicíssimo amigo da sua própria família, donde entre os seus vários outros irmãos, era precisamente, com o meu pai que ele se conviveu mais frequentemente e intensamente em Macau.

É nesse sentido que julgo ser oportuno, para fazer jus homenagem a esta figura de Macau, e trazer também aqui, algumas das minhas considerações, a respeito do meu saudoso ente querido tio Herculano.

Não porque se trata de uma pessoa da família, mas por razões óbvias como alguém que deu o seu melhor contributo para Macau, com quem me sinto agora também o dever de o homenagear!

Como sobrinho e amigo, que sou, não posso deixar de sentir mais honrado, pelo facto dele ser uma figura de referência para Macau - um intelectual multifacetado, que ajudou a contribuir de forma calorosa, activa e assumida, aquele que foi um bom exemplo de cidadão responsável - para o enriquecimento de Macau nas s/mais diversas áreas.

Sendo que na área artístico-cultural , Herculano foi um dos maiores impulsionadores e responsáveis pela divulgação de artes plásticas em Macau, tendo ele sido um dos principais fundadores da Associação de Belas Artes, o Arco-Íris, a primeira do género em Macau, e consequentemente, um dos maiores pintores de Macau, com obras espalhadas por todo o mundo.

Tanto em aguarelas como em óleo - cujo tema Herculano se identificou com as suas obras, dividida entre a sua terra natal Macau e a sua terra adoptiva Timor.

Em Macau, Herculano procurou sempre durante o seu percurso artístico, transpor para as suas telas, aquilo que tinha um forte significado a ligação cultural entre o quotidiano chinês e o modo de vida da sua população, através de dois elementos principais, o templo chinês e a orla marítima de Macau - enquanto para Timor, ele preferiu fazer representar nas suas obras a sua própria beleza singela daquela terra a paisagem natural.

Mas, foram sobretudo as pinturas vocacionado c/o mar, é que Herculano gostava mais de estar ligado, e que sentiu mais de perto, e em contacto mais próximo c/a sua população, quando ia localmente colorir as suas obras, sendo os juncos chineses o elemento que mais lhe despertava atenção, e uma maior preferência nas suas obras, na aplicação e utilização de técnicas inovadoras - a óleo ou em aguarela, este último bastante carismática e de estilo muito pessoal do artista, conhecidas por técnicas transfer ".

Também ele gostava muito de fotografia, lembro-me que foi ele quem me incutiu o gosto pela fotografia, ao oferecer-me uma máquina fotográfica, nos tempos em que eu era ainda estudante.

Para além daquilo que foi referido, Herculano foi um verdadeiro humanista que sempre lutou e procurou servir de alma e coração para os outros - sendo um grande artista de enorme sensibilidade e democrata nato ligado à luta permanente e incansável pelas causas macaense e timorense, a quem todos nos honra.

Também, na política local, Herculano foi um dos principais membros fundadores do CDM, a primeiríssima associação cívica de Macau, depois do 25 de Abril, onde foi um dos seus mais acérrimos defensores pela implementação da democracia em Macau.

Enquanto que em Timor foi nomeado para fazer parte como um dos dirigentes principais do conhecido movimento Tata-Malau.

Em letras - ainda como estudante, Herculano foi um dos fundadores e colaboradores mais activos no lançamento do primeiro jornal católico "O Clarim" em Macau.

Mais tarde já na sua plena vida profissional, foi convidado para ser o primeiro director e fundador do jornal "Ponto Final".

Abraço amigo
José Luís Estorninho

 


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publicado por João Severino às 00:01
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9 comentários:
De JMR a 9 de Maio de 2011 às 09:11
Grande texto João. Excelente. Como macaense fico muito orgulhoso porque este homem merece que se fale dele. Cumprimentos à sua esposa.


De João Severino a 9 de Maio de 2011 às 11:27
Obrigado, amigo. Entreguei os cumprimentos e ela retribui. Então, quando é que vens a Lisboa. O Porto está só a 3 horas.


De Rui Barbosa a 9 de Maio de 2011 às 10:45
Ler este blog é um enorme prazer.
Parabéns João, pelo excelente conteúdo.


De João Severino a 9 de Maio de 2011 às 11:28
Agradeço sensibilizado, caro Rui. Sabe, às vezes dá vontade de parar ao pensarmos que ninguém lê. Mas é por consideração a pessoas como você que enquanto houver forças teremos de continuar. Abraço.


De jose Luis Estorninho a 10 de Maio de 2011 às 10:59
Caro amigo João Severino,

É c/muito agrado e orgulho que registo pela homenagem que você quis em boa hora dedicar ao m/querido e saudoso tio Herculano - um grande ilustre macaense, que para mim, ele foi sempre, e desde há muito uma grande figura de referência para todos nós!

Confesso ter-me tocado no fundo do meu coração, com as suas honrosas referências, sobre alguém da minha família, neste caso o meu tio e caríssimo amigo Herculano, pessoa com quem tive o grande privilégio de ter privado ao longo da sua vivência, e que desde muito cedo, ele nutria já em mim uma grande amizade e admiração!

Herculano foi, sem dúvida, uma pessoa de grande estima e admiração entre os seus amigos e conterrâneos , para além de como óbvio ser um grande e amicíssimo amigo da sua própria família, donde entre os seus vários outros irmãos, era precisamente, com o meu pai que ele se conviveu mais frequentemente e intensamente em Macau.

É nesse sentido que julgo ser oportuno, para fazer jus homenagem a esta figura de Macau, e trazer também aqui, algumas das minhas considerações, a respeito do meu saudoso ente querido tio Herculano.

Não porque se trata de uma pessoa da família, mas por razões óbvias como alguém que deu o seu melhor contributo para Macau, com quem me sinto agora também o dever de o homenagear!

Como sobrinho e amigo, que sou, não posso deixar de sentir mais honrado, pelo facto dele ser uma figura de referência para Macau - um intelectual multifacetado, que ajudou a contribuir de forma calorosa, activa e assumida, aquele que foi um bom exemplo de cidadão responsável - para o enriquecimento de Macau nas s/mais diversas áreas.

Sendo que na área artístico-cultural , Herculano foi um dos maiores impulsionadores e responsáveis pela divulgação de artes plásticas em Macau, tendo ele sido um dos principais fundadores da Associação de Belas Artes, o Arco-Íris, a primeira do género em Macau, e consequentemente, um dos maiores pintores de Macau, com obras espalhadas por todo o mundo.

Tanto em aguarelas como em óleo - cujo tema Herculano se identificou com as suas obras, dividida entre a sua terra natal Macau e a sua terra adoptiva Timor.

Em Macau, Herculano procurou sempre durante o seu percurso artístico, transpor para as suas telas, aquilo que tinha um forte significado a ligação cultural entre o quotidiano chinês e o modo de vida da sua população, através de dois elementos principais, o templo chinês e a orla marítima de Macau - enquanto para Timor, ele preferiu fazer representar nas suas obras a sua própria beleza singela daquela terra a paisagem natural.

Mas, foram sobretudo as pinturas vocacionado c/o mar, é que Herculano gostava mais de estar ligado, e que sentiu mais de perto, e em contacto mais próximo c/a sua população, quando ia localmente colorir as suas obras, sendo os juncos chineses o elemento que mais lhe despertava atenção, e uma maior preferência nas suas obras, na aplicação e utilização de técnicas inovadoras - a óleo ou em aguarela, este último bastante carismática e de estilo muito pessoal do artista, conhecidas por técnicas transfer ".

Também ele gostava muito de fotografia, lembro-me que foi ele quem me incutiu o gosto pela fotografia, ao oferecer-me uma máquina fotográfica, nos tempos em que eu era ainda estudante.

Para além daquilo que foi referido, Herculano foi um verdadeiro humanista que sempre lutou e procurou servir de alma e coração para os outros - sendo um grande artista de enorme sensibilidade e democrata nato ligado à luta permanente e incansável pelas causas macaense e timorense, a quem todos nos honra.

Também, na política local, Herculano foi um dos principais membros fundadores do CDM, a primeiríssima associação cívica de Macau, depois do 25 de Abril, onde foi um dos seus mais acérrimos defensores pela implementação da democracia em Macau.

Enquanto que em Timor foi nomeado para fazer parte como um dos dirigentes principais do conhecido movimento Tata-Malau.

Em letras - ainda como estudante, Herculano foi um dos fundadores e colaboradores mais activos no lançamento do primeiro jornal católico "O Clarim" em Macau.

Mais tarde já na sua plena vida profissional, foi convidado para ser o primeiro director e fundador do jornal "Ponto Final".

Abraço amigo
José Luís Estorninho


De E. Marcelino a 10 de Maio de 2011 às 19:19
Excelente blog!

Só é pena não ser actualizado diariamente, pois de certeza que o JS deve ter imenso material fotográfico e documental para isso.

Não deve ter tempo, como aliás é compreensível, com o trabalho que lhe deve dar o PPTA..

Mas eu cá sinto que o JS deve ter um enorme prazer em escrever neste espaço, pois ao fim ao cabo está aqui a contar aos poucos a história da sua vida, rica em experiências e aventuras, o que não deixa de ser gratificante!

Da minha parte serei sempre um leitor assíduo destes seus textos.

Abraço
Marcelino


De Marcelino a 10 de Maio de 2011 às 22:10
Queria dizer PPTO.


De João Severino a 10 de Maio de 2011 às 22:20
Obrigado, Marcelino. Queria dizer PPTAO... eheh


De Jose Luis Estorninho a 11 de Maio de 2011 às 06:20
Caro João Severino,

Gostaria de fazer o seguinte ressalvo:

Tatamailau

Obrigado, abraço amigo
José Luis Estorninho



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Macau pertenceu à administração portuguesa. Essa realidade faz parte dos registos históricos de uma nação que marcou presença nos quatro cantos do mundo. A Oriente, milhares de portugueses viveram como lhes foi possível. Em Macau, a continuidade lusa mantém-se, mas o passado foi muito significativo. Fiz parte desse passado de uma forma intensa. Portugueses, macaenses e chineses, conheci muitas centenas. De alguns guardei as fotografias que memorizam a vivência. Humanos e a urbe macaense completam um espólio fotográfico que possuo de mais de seis mil fotografias e outras mais que ainda devem estar em caixas por abrir. Neste sentido, resolvi ir publicando aqui neste MACAU PASSADO o espólio que for possível. Espero que vos agrade e que possam recordar Macau sem complexos, sem rancores e sem tibiezas. Macau sã assi...

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