Sexta-feira, 22 de Julho de 2011
chá da manhã

 

 

> Quando em 1981 cheguei a Macau ia recomendado por um amigo a fim de conhecer o padre Manuel Teixeira. Uma figura típica do território, ilustre historiador e colaborador da imprensa local, o padre Teixeira recebeu-me no antigo seminário onde vivia. Aos cumprimentos e apresentações logo me convidou para um "cházinho". Acedi com toda a satisfação, convencido de que iria, pela primeira vez, ficar com o sabor e o proveito de um bom chá chinês.

De repente, vejo o padre Teixeira dirigir-se ao frigorífico e logo pensei que a sua preferência ia para o chá frio tal como muita gente que vivia em terras de África. Qual quê, traz-me uma garrafa de whisky para a mesa, dois copos e vá de encher... Eram 9:30 horas... conversámos muito e bebemos muito "chá"... Ao fim de umas horas, o padre Manuel Teixeira foi-se deitar e eu fui aos ésses pela rua abaixo... Mas, ficámos para sempre grandes amigos.

 

 


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Quarta-feira, 20 de Julho de 2011
alentejanos

 

 

> Em Macau sempre residiram alentejanos. Muitos radicaram-se até à morte. Os alentejanos são portugueses muito especiais: trabalhjadores, sérios e bons garfos. Onde haja um alentejano há boa disposição e boa mesa. E pouco lhes importam as anedotas malévolas que só destróem a boa imagem dos alentejanos. Um dia, no quartel de Coloane, um grupo vasto de alentejanos promoveu um lauto repasto, no qual não faltaram as melhores iguarias do grande Alentejo e onde o meu capote, hoje com mais de 40 anos, marcou presença. O compadre Santos foi um dos animadores da festa, homem excepcional que ainda mantém na ilha da Taipa o seu restaurante ao serviço da comunidade macaense.

 



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publicado por João Severino às 09:27
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Terça-feira, 19 de Julho de 2011
a amizade não tem preço

 

 

> Muitos dos que viveram em Macau nunca chegaram a sentir o que é a verdadeira amizade luso-chinesa. É uma amizade especial. Mas existe. Existe a partir do momento em que duas pessoas de raças e culturas diferentes são sérias e solidárias nos dois sentidos. Logo que assumi a liderança do jornal 'Macau Hoje' aceitei um jovem chinês para trabalhar como assistente na redacção. O  jovem A Meng, cujo nome próprio incluia Veng, sempre se mostrou desde o primeiro dia um rapaz muito diferente da normalidade. Um dia, transmitiu-me que gostava de mim como um filho e que eu não era mais o seu patrão, mas o seu amigo. Ao longo dos anos esteve sempre ao meu lado, especialmente nos momentos mais amargos, convidou-me para padrinho do seu casamento e foi o único chinês que vi chorar, no momento da minha partida de Macau. Um abraço ao Vincent, hoje, um grande campeão de barcos-dragão.

 



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Segunda-feira, 18 de Julho de 2011
carlos d'assumpção

 

 

 

> Recordo hoje o dia em que o macaense mais inteligente, mais dialogante e mais ilustre que conheci, o advogado Carlos d'Assumpção, foi homenageado pelo Presidente da República, Mário Soares. A sua estátua foi eregida na ilha da Taipa, na rotunda do hotel Hyatt, sob a presença de dezenas de amigos, onde se incluia o governador Rocha Vieira. Numa das imagens podemos ver os seus irmãos António, Mário e José Carlos - três homens que sempre me dispensaram a maior amizade -, na companhia da filha do saudoso causídico.

 

 


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Sexta-feira, 1 de Julho de 2011
grupo

 

 

> Um grupo que já fez "alguma" coisa por Macau. O Grande Prémio tem destas coisas: juntar amigos que gostam de automóveis e, especialmente, do maior evento desportivo do território. Artur Ferreira, Carlos Blanco, João Severino e Carlos Couto.

 


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Quarta-feira, 29 de Junho de 2011
deputados

 

> O autor do blogue na Assembleia Legislativa com o actual presidente Lau Cheok Va e o deputado Fong Chi keong.

 


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Quinta-feira, 23 de Junho de 2011
rolls royce

photo jotaesse


 

> Quando desembarquei de hydrofoil em Macau existiam dois Rolls Royce. Um deles, de cor branca, pertencia ao empresário Chui Iu, que serviu de meu transporte para os escritórios do empresário quando [a pedido de um amigo comum] lhe fui entregar uma carta trazida de Lisboa. E o outro carro, esse, o mais conhecido, porque estava sempre estacionado em frente ao Palácio da Praia Grande. Por quê? Porque o seu proprietário Stanley Ho tinha inúmeros assuntos a debater com os governdores que se seguiam uns aos outros*...

Na imagem, o Rolls Royce de Stanley Ho à saída do Hotel Mandarim.

 

*Conheci Melo Egídio, Almeida e Costa, Carlos Melancia, Pinto Machado e Rocha Vieira.

 

 


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Domingo, 12 de Junho de 2011
ponte

 

 Na Pousada de Coloane

 

 

 

 

> D. Duarte Pio de Bragança esteve várias vezes em Macau, terra que lhe serviu de ponte para a "passagem" ao contacto com personalidades timorenses. D. Duarte desde o campo de refugiados do Vale do Jamor, Lisboa, em 1975, que se interessou pela libertação do povo timorense. Nessa oportunidade fizemos parte da Comissão de Apoio aos Refugiados Timorenses. Em Macau, entrevistei-o para o meu jornal 'Macau Hoje', conversei off the record sobre os problemas de Timor-Leste e de, à mesma mesa, termos reunido amigos que ajudaram à sua caminhada na defesa dos interesses do povo maubere. Agora, os timorenses reconheceram o seu esforço e concederam-lhe a nacionalidade timorense com todo o mérito.

 

 


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Sábado, 11 de Junho de 2011
delfins

 

 

> Os macaenses ilustres Anabela Ritchie e Leonel Alves são duas personalidades que mais defenderam os portugueses residentes em Macau. Durante o período de transição da administração portuguesa para a chinesa viveram-se momentos de grande dificuldade para os interesses dos residentes portugueses. Anabela Ritchie e Leonel Alves, considerados delfins do ex-presidente da Assembleia Legislativa, Carlos d'Assumpção, sempre souberam ministrar, na Assembleia Legislativa, com eficácia, elevação e sentido de Estado, as prorrogativas inerentes a essa transição. Honro-me pelo facto de os ter como amigos.

 

 


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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
estorninho, o mestre

 

 

 

 

 

> Conheci Herculano Estorninho em Timor-Leste, onde se deslocou em serviço no âmbito das actividades da sua empresa STDM. Stanley Ho tinha enviado o Herculano a Díli para implementar a construção de um hotel com slot machines. Quando cheguei a Macau em 1981 fui recebido de braços abertos no seu gabinete do Hotel Sintra. O macaense Herculano Estorninho faz parte da história das artes a nível internacional. As suas obras, óleos e aguarelas, estão patentes nas mais diversas colecções particulares e no património de várias instituições portuguesas e chinesas.

Herculano Estorninho era um homem muito especial, amante de todos os seus familiares, dedicado tanto à pintura como às antiguidades, tanto à prosa como à poesia. Herculano foi um mestre de vida. De uma vida onde experimentou de tudo um pouco nas difíceis relações humanas. Um democrata sério e que via a política como um caminho para ajudar os mais desprotegidos. Ficou-lhe o amor por uma terra onde não nasceu - Timor-Leste - basicamente porque compreendeu que aquele povo merecia mais e melhor das autoridades governativas.

Semanalmente, e muitas vezes quase diariamente, visitava o Herculano e depois passeávamos pela San Ma Lou. Ele ensinou-me o básico, o secundário e o universitário sobre Macau. Foi um mestre sobre as especificidades dos lobis macaenses. Explicou-me por que razão uma seita secreta não era secreta. Por que razão um casino poderia sustentar um governo, um país ou um partido, tal como podia destruir milhares de famílias. Explicou-me como foi Macau no passado: os cafés, a culinária, o futebol, o teatro, as bandas musicais, os carros, o Grande Prémio. os metropolitanos, os governadores, os marinheiros, os tropas, os barcos para a Taipa, os serviços da administração, os aterros, o Adé, o Carlos d'Assunpção, o Stanley Ho, o Ho In, o Roque Choi, o Jorge Rangel, o Senna Fernandes, o Neto Valente, o Delfino Ribeiro, o Jonny Reis, o Leonel Barros, o Ted Yip, o Leonel Borralho, a Susana Chou, o Henrique Nolasco, o Ng Fok, o Santos Ferreira e tantos outras figuras ilustres. Explicou-me como a árvore das patacas abanava só para alguns. Ensinou-me que em Macau nunca se pode errar e que fica rico aquele que não ouve, não vê e não fala.

Herculano Estorninho é um marco cultural na históría macaense e eu sinto um grande orgulho por ele ter feito o favor de ser meu amigo.

 

 

COMENTÁRIO EM DESTAQUE

 

De José Luis Estorninho a 10 de Maio de 2011 às 10:59
Caro amigo João Severino,

É c/muito agrado e orgulho que registo pela homenagem que você quis em boa hora dedicar ao m/querido e saudoso tio Herculano - um grande ilustre macaense, que para mim, ele foi sempre, e desde há muito uma grande figura de referência para todos nós!

Confesso ter-me tocado no fundo do meu coração, com as suas honrosas referências, sobre alguém da minha família, neste caso o meu tio e caríssimo amigo Herculano, pessoa com quem tive o grande privilégio de ter privado ao longo da sua vivência, e que desde muito cedo, ele nutria já em mim uma grande amizade e admiração!

Herculano foi, sem dúvida, uma pessoa de grande estima e admiração entre os seus amigos e conterrâneos , para além de como óbvio ser um grande e amicíssimo amigo da sua própria família, donde entre os seus vários outros irmãos, era precisamente, com o meu pai que ele se conviveu mais frequentemente e intensamente em Macau.

É nesse sentido que julgo ser oportuno, para fazer jus homenagem a esta figura de Macau, e trazer também aqui, algumas das minhas considerações, a respeito do meu saudoso ente querido tio Herculano.

Não porque se trata de uma pessoa da família, mas por razões óbvias como alguém que deu o seu melhor contributo para Macau, com quem me sinto agora também o dever de o homenagear!

Como sobrinho e amigo, que sou, não posso deixar de sentir mais honrado, pelo facto dele ser uma figura de referência para Macau - um intelectual multifacetado, que ajudou a contribuir de forma calorosa, activa e assumida, aquele que foi um bom exemplo de cidadão responsável - para o enriquecimento de Macau nas s/mais diversas áreas.

Sendo que na área artístico-cultural , Herculano foi um dos maiores impulsionadores e responsáveis pela divulgação de artes plásticas em Macau, tendo ele sido um dos principais fundadores da Associação de Belas Artes, o Arco-Íris, a primeira do género em Macau, e consequentemente, um dos maiores pintores de Macau, com obras espalhadas por todo o mundo.

Tanto em aguarelas como em óleo - cujo tema Herculano se identificou com as suas obras, dividida entre a sua terra natal Macau e a sua terra adoptiva Timor.

Em Macau, Herculano procurou sempre durante o seu percurso artístico, transpor para as suas telas, aquilo que tinha um forte significado a ligação cultural entre o quotidiano chinês e o modo de vida da sua população, através de dois elementos principais, o templo chinês e a orla marítima de Macau - enquanto para Timor, ele preferiu fazer representar nas suas obras a sua própria beleza singela daquela terra a paisagem natural.

Mas, foram sobretudo as pinturas vocacionado c/o mar, é que Herculano gostava mais de estar ligado, e que sentiu mais de perto, e em contacto mais próximo c/a sua população, quando ia localmente colorir as suas obras, sendo os juncos chineses o elemento que mais lhe despertava atenção, e uma maior preferência nas suas obras, na aplicação e utilização de técnicas inovadoras - a óleo ou em aguarela, este último bastante carismática e de estilo muito pessoal do artista, conhecidas por técnicas transfer ".

Também ele gostava muito de fotografia, lembro-me que foi ele quem me incutiu o gosto pela fotografia, ao oferecer-me uma máquina fotográfica, nos tempos em que eu era ainda estudante.

Para além daquilo que foi referido, Herculano foi um verdadeiro humanista que sempre lutou e procurou servir de alma e coração para os outros - sendo um grande artista de enorme sensibilidade e democrata nato ligado à luta permanente e incansável pelas causas macaense e timorense, a quem todos nos honra.

Também, na política local, Herculano foi um dos principais membros fundadores do CDM, a primeiríssima associação cívica de Macau, depois do 25 de Abril, onde foi um dos seus mais acérrimos defensores pela implementação da democracia em Macau.

Enquanto que em Timor foi nomeado para fazer parte como um dos dirigentes principais do conhecido movimento Tata-Malau.

Em letras - ainda como estudante, Herculano foi um dos fundadores e colaboradores mais activos no lançamento do primeiro jornal católico "O Clarim" em Macau.

Mais tarde já na sua plena vida profissional, foi convidado para ser o primeiro director e fundador do jornal "Ponto Final".

Abraço amigo
José Luís Estorninho

 


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Macau pertenceu à administração portuguesa. Essa realidade faz parte dos registos históricos de uma nação que marcou presença nos quatro cantos do mundo. A Oriente, milhares de portugueses viveram como lhes foi possível. Em Macau, a continuidade lusa mantém-se, mas o passado foi muito significativo. Fiz parte desse passado de uma forma intensa. Portugueses, macaenses e chineses, conheci muitas centenas. De alguns guardei as fotografias que memorizam a vivência. Humanos e a urbe macaense completam um espólio fotográfico que possuo de mais de seis mil fotografias e outras mais que ainda devem estar em caixas por abrir. Neste sentido, resolvi ir publicando aqui neste MACAU PASSADO o espólio que for possível. Espero que vos agrade e que possam recordar Macau sem complexos, sem rancores e sem tibiezas. Macau sã assi...

João Eduardo Severino
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