Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
a escola tdm

 

 

 

 

 

> A Teledifusão de Macau (TDM) foi sempre uma escola de virtudes. De quê? Pronto, ok, eu rectifico. Foi sempre uma escola de virtudes e de defeitos. De defeitos porque muita gente, especialmente administradores e directores, aproveitaram os seus cargos para descapitalizar a empresa. Havia sempre o Stanley Ho para apagar os fogos, leia-se, pagar os desmandos. Alguns foram para a prisão, outros para ministros e deputados. Mas, não falemos de coisas tristes e recordemos a escola de virtudes. De muita gente conhecida. Afonso Rato, Gonçalo César de Sá, José Rodrigues dos Santos, Judite Sousa, Maria Helena Falé, José Alberto Sousa, João Guedes, Nuno Mendonça, Jorge Silva, Vítor Rebelo, João Francisco Pinto e tantos outros.

Dos tempos da antiga Rádio Macau vou contar-vos algo de caricato. Um dia, estava no estúdio a realizar e a apresentar um programa com a duração de três horas. Ao aproximar-se a hora do noticiário, cerca de 15 minutos antes, o técnico de som transmitiu-me que o noticiarista não tinha vindo trabalhar. Fui à redacção, peguei em meia dúzia de telexes, risquei uns quantos parágrafos, dei-lhes uma volta e estavam feitas as notícias. Ouviu-se o sinal horário seguido de uma voz (a minha): "Rádio Macau, são nove horas. Vêm aí as notícias". Ouve-se o separador do noticiário e segue-se outra voz em tom mais grave (a minha): "Bom dia. O governador Almeida e Costa reúne-se hoje com ....; Os Correios de Macau lançam hoje uma nova colecção de selos alusiva...; No Porto Interior deu entrada mais uma embarcação com refugiados do Vietname e a Polícia Marítima...; Em futebol a equipa do Negro Rubro, de António Assumpção, sagrou-se mais uma vez campeã ao derrotar...; Em Portugal o governo depara-se com graves dificuldades de financiamento pelo facto...; A terminar lembramos que logo pelas 18.30 terá lugar no Clube Militar o lançamento do livro da autoria de...; Bom dia!". Separador do noticiário. Música e continuação do programa da manhã com a apresentação de outra voz mais aguda (a minha).

Passados dez minutos, o técnico de som informa-me que tinha recebido um telefonema dando conta que havia deflagrado um incêndio num edifício próximo das instalações da estação. Coloco no prato do gira-discos do lado direito um disco dos Bee Gees, ao vivo, de 12 minutos. No prato da esquerda a Amália Rodrigues, ao vivo em Tóquio, com a duração de 20 minutos. Disse ao técnico que iria realizar a reportagem em directo do sinistro e se o disco dos Bee Gees terminasse, que ele abrisse a via para a Amália. Entretanto, quando eu desse sinal que estava em reportagem do exterior era só lançar-me no "ar". E assim foi, passados dez minutos estava a informar o auditório de tudo o que tinha acontecido no incêndio. Corri de volta para o estúdio e, como se nada de especial tivesse acontecido e como se a Rádio Macau tivesse naqueles instantes três profissionais para três tarefas bem distintas, voltei a sentar-me no estúdio e continuei a emissão até ao meio-dia, prosseguindo a apresentação de noticiários de hora a hora. Calma, calma porque ainda não acabei...

Como naquele tempo não havia ninguém para produzir, editar e apresentar o Teledesporto no canal televisivo da TDM, este vosso amigo passava as tardes a realizar reportagens pelas diversas modalidades desportivas, aos sábados e domingos à tarde realizava a cobertura do futebol no Campo do Canídromo, e aos domingos a partir das 22 horas, apresentava, em directo, durante mais de duas horas o programa desportivo da semana, o qual incluia entrevistas no estúdio. O Teledesporto viria a prosseguir sabiamente pelo bem vindo e bom companheiro Vítor Rebelo.

 


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publicado por João Severino às 00:01
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Macau pertenceu à administração portuguesa. Essa realidade faz parte dos registos históricos de uma nação que marcou presença nos quatro cantos do mundo. A Oriente, milhares de portugueses viveram como lhes foi possível. Em Macau, a continuidade lusa mantém-se, mas o passado foi muito significativo. Fiz parte desse passado de uma forma intensa. Portugueses, macaenses e chineses, conheci muitas centenas. De alguns guardei as fotografias que memorizam a vivência. Humanos e a urbe macaense completam um espólio fotográfico que possuo de mais de seis mil fotografias e outras mais que ainda devem estar em caixas por abrir. Neste sentido, resolvi ir publicando aqui neste MACAU PASSADO o espólio que for possível. Espero que vos agrade e que possam recordar Macau sem complexos, sem rancores e sem tibiezas. Macau sã assi...

João Eduardo Severino
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